quinta-feira, 17 de julho de 2014

"O Modelo dos Modelos" (Ítalo Calvino) e Sua Relação com o AEE

Todo material (leituras, discussões e estudos mais aprofundados) sobre cada deficiência apresentada nas disciplinas durante curso nos conduz a uma busca do real sentido em relação a nossa função enquanto educadores e o quanto todos temos capacidade para realizar algo, ainda que tenhamos nossas limitações. Desse ponto de vista, entendemos que o essencial é destacar o potencial , deixando de lado as limitações.
Precisamos ressaltar que um indivíduo com deficiência tem, tanto quanto qualquer outro indivíduo "normal", um potencial que deve ser estimulado, deixando de priorizar o que ela não pode ou não consegue fazer.
O trabalho executado no AEE é desenvolvido a partir do potencial do aluno atendido, focando a importância de destacar o que o aluno pode oferecer diante daquilo que é proposto como atividade e não do que suas limitações o privam.
Deste modo, o educador do AEE deve produzir atividades desejando promover diversas formas de como o aluno vai executá-la para a obtenção do êxito. Para isso, cada aluno deve ter um plano de AEE individual que venha complementar a formação do aluno adotando recursos específicos para que ele desenvolva sua autonomia no ambiente escolar e social.
O AEE é desenvolvido a partir do estudo de caso de cada aluno atendido, iniciando com o contato com a família, de uma pesquisa para entender o processo de desenvolvimento do aluno para conhecê-lo e, a partir daí elaborar o projeto de atividades a ser desenvolvido com o mesmo. Além da família, é importante estabelecer parcerias com todos os indivíduos envolvidos no cotidiano do aluno.
Para desenvolver o trabalho de AEE, é fundamental que o educador não fique preso a “modelos”, pois os casos são heterogêneos, jamais encontraremos dois casos idênticos, podem até ser semelhantes, mas idênticos não. Portanto, cada aluno terá uma maneira de progresso diferenciada, por isso a necessidade de um plano de AEE individual.
    Isso é sugerido por Ítalo Calvino em seu texto “O Modelo dos Modelos”, alegando que, inicialmente o senhor Palomar acreditava que por meio de modelos resolveria tudo, deduzindo a partir de cada construção que precisaria partir de vários modelos para realizar modificações e que estes eram transformáveis.
  A Escola Inclusiva é o espaço em que os alunos constroem o seu próprio conhecimento, partindo de suas capacidades e potenciais, sem perder o direito de expressar suas ideias. Que nessa escola os alunos não sejam vistos como especiais ou diferentes por suas limitações e sim vistos todos como iguais, apesar de suas diferenças. Mas, para que isso se efetive na prática, principalmente no cotidiano escolar, devemos acabar a padronização de modelos, adotando a singularidade do indivíduo como ponto de partida para um trabalho realmente construtivo.
É de suma importância compreender que o modelo citado por Ítalo Calvino como padrão e a homogeneização de moldes em si devem ser dizimados em nossa prática diária, pois como Calvino mesmo diz “ele se depara face a face com a realidade mal padronizável e não homogeneizável, formulando os seus “sins”, os seus “nãos”, os seus “mas””.

A pessoa com deficiência não é inferior aos seus pares, apenas apresenta um desenvolvimento qualitativamente diferente e único [...] Uma criança que tem um defeito não é necessariamente deficiente, estando seu grau de normalidade condicionado à adaptação social. (Vygostsky in Marques 2000, p. 99)


REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO: 

CALVINO, Ítalo. O Modelo dos Modelos, UFC, 2014.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Recursos e Estratégias de Baixa Tecnologia para Alunos com TGD - Transtorno Global de Desenvolvimento

Os TGD - Transtornos Globais do Desenvolvimento - são distúrbios nas interações sociais recíprocas que costumam manifestar-se nos primeiros cinco anos de vida. Caracterizam-se pelos padrões de comunicação estereotipados e repetitivos, assim como pelo estreitamento nos interesses e nas atividades.

Os recursos e estratégias de baixa tecnologia tem a finalidade de favorecer os alunos com TGD em seu desenvolvimento de habilidades na comunicação e na interação social.

Abaixo, estão alguns recursos e estratégias que podem ser utilizados para alunos com TDG, em específico aos que possuem o TEA - Transtorno do Espectro Autista.

Jogos com Faces

Com o Jogo com Faces é trabalhado o reconhecimento de emoções usando fotografias.
Pode ser trabalhado com alunos de diversas idades. Em sala da aula, na sala de recursos e até na própria casa do aluno.

Material necessário:

  • Fotografias de diversas emoções. Recomendável utilizar fotografias de pessoas conhecidas ou até mesmo do próprio aluno;
  • Papelão para montar a base;
  • E.V.A. para colar as fotos;
  • Argolas e furador.



Na última figura, notamos que o nome da emoção está escrito embaixo da imagem. É sugerido, a depender do que for trabalhado, que o educador ou o familiar faça os cartões com os nomes das imagens. Desta forma, um outro modo de uso seria associar imagens e o nome das emoções.

Uma variação que também pode usar a estrutura dessa atividade é usar rostos familiares para o aluno e pedir que os identifique. Se formos usar a ideia dos cartões nesse formato, o cartão pode conter o nome da pessoa ou seu grau de parentesco, quem sabe até todas essas informações e até as características físicas, ou seja, ao olhar a foto a pessoa deve pegar o cartão com o nome da pessoa, seu grau de parentesco e suas características físicas (cabelo preto, óculos, branca…).


Chamada com Foto

Com a Chamada com Foto é trabalhada a oralidade e a comunicação.
Pode ser trabalhado com alunos de diversas idades. Em sala de aula.

Material necessário:

  • Papéis diversos;
  • Fotografias dos colegas de classe.




O aluno coloca a foto dos colegas no "diário" confeccionado pelo educador, nomeia-os e realiza a contagem. É uma forma lúdica e que, geralmente, surte efeito na aprendizagem e socialização do aluno.

domingo, 20 de abril de 2014

Informativo - Surdocegueira e Deficiências Múltiplas (DMU)



Esta é a imagem do informativo, pois não consegui adicionar o documento no blog.
Caso não consigam ler, o informativo no formato .doc encontra-se no meu portfólio individual
TelEduc < Portfólio < Portfólio Individual < Portfólio de Fabio Ishiyama de Riccio < DMU_Fabio
Grato pela atenção e boa semana a todos!

domingo, 9 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção


O texto base apresenta o contexto da educação das pessoas com surdez num cenário de debates e desafios, propondo políticas educacionais inclusivas com enfoque bilíngue à luz da garantia de instrumentos legais vigentes, centralizando as práticas na visão do ser humano capaz de desenvolver suas potencialidades nos processos perceptivos, linguísticos e cognitivos, destacando a eficácia do complemento oferecido pelo Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez para efetivar a inclusão dessas pessoas na escola e na sociedade.
De uns tempos para cá, alguns pensadores, estudiosos e pesquisadores centraram suas discussões e debates em volta das visões oralista e gestualista que adotam, ou uma ou outra língua (Libras - Língua Brasileira de Sinais ou Língua Portuguesa) na educação de pessoas com surdez, concedendo a esse elemento o êxito ou fracasso escolar das pessoas com surdez. Para os que defendem a educação bilíngue, necessita-se desenvolver práticas pedagógicas centradas nas alternativas de evolução do potencial das pessoas com surdez, proporcionando-lhes progressos nos fatores individuais e coletivos.
Numa visão inclusiva, a Política Nacional de Educação Especial, tem se afirmado promissora, principalmente para as pessoas com surdez, conduzindo propostas com educação bilíngue para a sua escolarização, sendo ratificada pelo Decreto 5.626/05 que regulamentou a Lei de Libras e deu instruções para a organização de turmas bilíngues, priorizando a Língua Brasileira de Sinais como a primeira língua das pessoas com surdez e a Língua Portuguesa escrita, a segunda língua.


A realização dessa proposta depende de um ambiente bilíngue cuja aplicação cabe ao Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez, que se caracteriza como uma atividade complementar, buscando o desenvolvimento da aprendizagem na sala de aula regular, fundamentado nos conhecimentos do aluno. Partindo desse pressuposto, podemos efetivar a execução de três momentos didático-pedagógicos: Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez em Libras, Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez para o ensino de Libras e o Atendimento Educacional Especializado para Pessoas com Surdez para o ensino de Língua Portuguesa numa conexão com os professores regulares e professores de educação especial (Libras), que se interligam com a ideia de assegurar o acesso aos conteúdos curriculares pelo aluno com surdez, ocasionando a inclusão deste aluno no espaço escolar e, consequentemente, no espaço social.


REFERENCIAL TEÓRICO

Texto
DAMÁZIO, Mirlene F. M.; FERREIRA, Josimário de P. Educação Escolar de Pessoas com Surdez - Atendimento Educacional Especializado em Construção. In: Revista Inclusão: R. Educ. esp., Brasília, MEC, v. 5, n. 1, jan/jul. 2010 (p. 46-57)

Imagem

http://t0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSnQ41aVsg0sIhcdeziVnWApOqrPYAm4tkA9Y_iJrDkkxqKVpbV

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Usos Pedagógicos da Descrição de Histórias em Quadrinhos para Deficientes Visuais

A atividade de descrição utilizando histórias em quadrinhos traz a tona diversas situações do cotidiano, geralmente as engraçadas. Para o aluno com deficiência visual, utilizar de tal recurso o faz imaginar tais cenas e o mundo em que elas se manifestam e perceber a moral e a graça de determinadas situações mostradas nas histórias em quadrinhos.

Dependendo da história em quadrinho, vários conceitos podem ser trabalhados com o aluno, tais como geografia, ciências, história, política, artes, ética etc.

Pode-se fazer cartazes com as histórias em quadrinhos, utilizar softwares como o VozMe para transformar as falas dos personagens em áudio. Assim, estimula o pensamento do aluno em dizer o que ele acha que há naquele espaço onde a história em quadrinhos é desenvolvida, além de usar o sentido da audição para a interpretação da história em quadrinhos.


domingo, 1 de dezembro de 2013

Atividade de Descrição: História em Quadrinhos


Fonte: http://energiapaulistanica.blogspot.com.br/2012/04/garfield.html

Legenda: história em quadrinhos, sem título, com os personagens Garfield e seu dono Jon, do cartunista norte-americano Jim Davis.

Descrição: a tirinha colorida, com 6 quadros, mostra um diálogo entre o gato Garfield (um gato de cor laranja com manchas pretas e um pouco acima do peso) e seu dono Jon (um jovem que vive com seus animais de estimação e veste uma camisa social azul clara). No diálogo, Jon está em dúvidas sobre qual gravata deve usar e pergunta a opinião de Garfield, que está sentado sobre uma uma mesa . Depois Jon traz várias gravatas e as mostra para Garfield, a fim de uma ser a escolhida. As falas deles estão em balões.

Q1 -  Jon chega com Garfield, que está sentado sobre uma mesa, e pergunta: "Garfield, me ajude a escolher uma gravata?" Garfield observa com cara de tédio sem responder...

Q2 - Jon, todo empolgado, mostra uma gravata com estampa de coelho e diz: "Devo usar essa do coelho que diz: 'Eu sou fofo!'" Garfield observa com cara de tédio sem responder...

Q3 - Jon então mostra uma outra gravata com estampa de uma bola de golfe e diz: "Essa do golfe que diz: 'Eu sou atlético!'" Garfield observa coim cara de tédio sem responder...

Q4 - Jon mostra outra gravata, esta com estampa de patas de onça pintada e diz: "Ou essa de animal que diz: 'Sou selvagem!'" Garfield observa com cara de tédio sem responder...

Q5 - Garfield então pega uma gravata que está sob a mesa e diz: "Que tal essa?"

Q6 - Garfield mostra uma gravata listrada com as cores roxa e amarela e diz: "Ela grita: 'Sou um completo idiota!'" Jon observa sem responde com um rosto não tão contente...


quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Jogos e Atividades para o Desenvolvimento e Aprendizagem do Aluno com Deficiência Intelectual: Boneco Articulado

Considerando-se que a criança com deficiência intelectual apresenta dificuldades em assimilar conteúdos abstratos, faz-se necessário a utilização de material pedagógico concreto, e de estratégias metodológicas práticas para que esse aluno desenvolva suas habilidades cognitivas e para facilitar a construção do conhecimento. Os jogos e atividades são estratégias metodológicas que apresentam as duas características acima citadas. Proporcionam a aprendizagem através de materiais concretos e de atividades práticas, onde a criança cria, reflete, analisa e interage com seus colegas e com o professor.

Esses jogos e atividades são divididas por área de desenvolvimento e aprendizagem.

Na área de imagem e esquema corporal, podemos destacar o Boneco Articulado.

Boneco Articulado

Boneco articulado simples. Pode-se customizar o boneco de acordo com o gosto do aluno.
Estimula:
Noção do esquema corporal, conscientização sobre as partes do corpo e suas posições, habilidade manual.

Descrição:
As partes do corpo recortadas em cartolina: cabeça, pescoço, tronco, dois braços, dois antebraços, duas mãos, duas coxas, duas pernas e dois pés. Para juntar as partes fazendo as articulações, podem ser feitos furos com o furador de papel e colocadas tachas, que se abrem depois e perfurar o papel. Outra alternativa é furar as articulações com uma agulha grossa e barbante, e depois dar um nó de cada lado do barbante.

Possibilidades de exploração:
- Recortar e montar o boneco articulado.
- Pedir a uma pessoa que sirva de modelo, assumindo diferentes posições que os alunos procurarão reproduzir com seus bonecos.
- Fazer o exercício contrário, colocar o boneco em posições que as pessoas deverão representar.
- Descobrir quais as posições que podem ser feitas com o boneco mas que são impossíveis de serem realizadas pelo ser humano.